21 de maio de 2012
Um pouco de Clarice. Muito de mim...
Não me prendo a nada que me defina...
Sou companhia, mas posso ser solidão... Tranquilidade e inconstância, pedra e coração...
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono... Música alta e silêncio...
Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser...
Não me limito, não sou cruel comigo!!!
Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer...
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência, e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca!!!
Clarice Lispector
20 de junho de 2011
Inteligência espiritual
O que é e como ela influencia as nossas vidas
Conhecer o propósito da vida. Desafiante, não? Pois saiba que é justamente essa aptidão para lidar com questões existenciais que caracteriza uma de nossas principais competências: a inteligência espiritual. Essa inteligência possui uma expressiva relação com o processo de autoconhecimento e, acredite, está completamente isenta da influência de crenças pessoais ou convicções religiosas.
O termo QS (do inglês spiritual quocient) foi cunhado pela filósofa americana Danah Zohar em meados de 2000. A pesquisadora notou que a busca por paz, alegria ou a ‘força’ para superar um momento de dor são aspectos da experiência humana que não estão vinculados aos outros dois tipos de inteligência já conhecidas, a saber: o QI (quociente de inteligência), que está relacionado à capacidade de raciocínio lógico; e o QE (quociente emocional), responsável pelo controle das emoções e manutenção de bons relacionamentos.
Pensando bem, quem nunca sentiu a necessidade de mudar os rumos da própria vida e procurar um sentido maior para a existência? “Nós buscamos respostas que nos esclareçam sobre a vida, para que não tenhamos que simplesmente reagir às coisas sem saber exatamente qual é o nosso papel. A pergunta ‘quem eu sou’ implica justamente nisso”, afirma Ivana Samagaia, administradora de empresas e professora de Raja Yoga na Brahma Kumaris há 12 anos.
A pessoa com QS desenvolvido possui um senso de propósito muito firme e sempre faz questionamentos do tipo ‘afinal, o que eu estou fazendo aqui? ’. Ou seja, toda ação é dotada de um sentido verdadeiro e consciente. Segundo Ivana, essa percepção aguçada faz com que as pessoas com alto QS procurem acrescentar algo ao mundo a partir de qualquer atividade que venham a desempenhar.
Além disso, as pessoas começam a enxergar as dificuldades como verdadeiros desafios, de maneira que as adversidades do dia a dia passam a ser encaradas como oportunidades para traçar novas rotas, encontrar novos caminhos e desabrochar os potenciais. “Isso ocorre quando a pessoa finalmente percebe que pode ser inteligente, trabalhar muito bem, ter bons relacionamentos e uma vida tranquila e, ainda assim, sentir um vazio imenso dentro de si. É nessa lacuna que entra a inteligência espiritual”, finaliza a professora.
*Texto publicado originalmente no site Abilio Diniz
*Texto publicado originalmente no site Abilio Diniz
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Em tempo: não podemos esquecer que religião é uma expressão política e espiritualidade é uma expressão de fé. E uma coisa nunca deveria ser confundida com a outra.
30 de maio de 2011
Sobre arte, honestidade e sacrifício
Sinto muito cumpadi,
mas é burrice pensar
que esses caras
é que são os donos da biografia
já que a grande maioria
daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício
[O Rappa]
A noite estava quente e voltávamos para a casa a pé. A caminhada noturna é um excelente antídoto para o tédio e oportunidade ímpar para falar de amor e fazer planos. Aquele céu escuro e limpo estava particularmente inspirador. Já faltava pouco para vencermos a distância até o aconchego do lar, a comida fresca e a cama a nossa espera.
Havia um carroceiro a poucos metros. Três garotos, que vinham em nossa direção, não perderam a preciosa oportunidade de zombar o velho. Estávamos próximos o suficiente para ouvir alguns gracejos, pouco ofensivos em verdade, mas que soavam de extremo mau gosto na composição da cena. Quando passamos por ele, notei que a carroça estava cheia. Os calejados pés descalços protestavam contra o asfalto áspero.
E o homem seguia, com o passo lento e sôfrego. Encaramo-nos deliberadamente. Ele sorriu. Um cumprimento tímido deu início a uma conversa fraca. Ele nos informou de sua fome. Não tínhamos quantia em mãos ou algo para consumo imediato. Fitei os olhos do velho e sua sinceridade me abateu. Diminuímos a velocidade e acompanhamos o desabafo. Um estranho nó foi de apossando de minhas cordas vocais.
“Carlos é como me chamo. Vivo na rua, durmo debaixo da ponte”. O dia havia sido de muitas colheitas, mas não houve tempo para vender as quinquilharias. “Tenho fome”. Sua fraqueza era evidente. Algo precisava ser feito. Prometi que pararíamos em bar a frente, que ainda servia comida naquele horário. Mas não era só carência de sustento que estava em jogo. Sempre há algo de desumano que permeia as discrepâncias sociais. Aquilo era fome de civilidade.
Acompanhamos seus passos curtos. Passados alguns minutos, já com a marmita quente nas mãos firmes e sujas, ele agradeceu. Disse que Deus sempre encontra uma maneira indireta de lhe render graças. Corei de vergonha ao lembrar dos problemas que inspiram minha descrença na vida, sempre relacionados ao meu umbigo ou um pouco abaixo dele. Vaidade inútil e estéril.
Naquela noite, tivemos a preciosa oportunidade de conhecer um homem ilustre. Um homem que vive no limite. Um catador de lixo que coleciona sonhos e inspira pessoas. Que divide a comida que recebe e não faz isso por caridade religiosa. Faz porque algo precisa ser feito. Porque seu coração é grande. Com certeza, nele cabe o que não cabe na despensa.
25 de janeiro de 2011
Concentre-se
Sobre a importância de vivermos o presente
A sutil arte de manter-se concentrado no presente consiste em... Espera! Antes de começar o texto, tenho que dar um pulinho no banco para pagar uma conta e depois preciso desmarcar o almoço com o meu irmão porque surgiu aquela reunião de última hora. Puxa, também esqueci de terminar o relatório que a editora pediu e... Céus! Nem me lembro há quanto tempo estou prometendo dar uma faxina em minha mesa...
Pois é, a essa altura já foi possível identificar a dificuldade que é manter-se focado e não ceder à tentação de dispersar-se mentalmente. A famosa ‘síndrome das urgências’, fomentada pela falta de concentração na execução das tarefas, nos impede de viver satisfatoriamente o tempo presente e valorizar o que mais interessa. Segundo uma pesquisa publicada na revista Science, tal efeito pode, inclusive, nos dar uma passagem só de ida para os vales da infelicidade.
Esse estudo foi realizado na Universidade de Harvad, EUA, e sugere que gastamos, em média, metade do nosso tempo útil apenas imaginando o que gostaríamos ou deveríamos ‘estar fazendo’ em outro lugar que não no momento presente. Por isso eu nunca gostei do gerundismo. Embora a habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo no momento seja uma conquista cognitiva, o custo emocional é grande e a contínua dispersão pode causar tristeza e insatisfação com a vida.
Abandonar a trilha sempre percorrida pelo raciocínio e concentrar-se no ‘presente’ não é uma tarefa fácil. Direcionar o foco e a atenção pode nos ajudar a lidar com as questões diárias de maneira mais consciente, pois não há nada mais triste do que a falta de intenção. É necessário nos reconhecermos em meio ao caos das necessidades imediatas para delinearmos um caminho baseado no momento presente. Eu estou tentando. E você?

A sutil arte de manter-se concentrado no presente consiste em... Espera! Antes de começar o texto, tenho que dar um pulinho no banco para pagar uma conta e depois preciso desmarcar o almoço com o meu irmão porque surgiu aquela reunião de última hora. Puxa, também esqueci de terminar o relatório que a editora pediu e... Céus! Nem me lembro há quanto tempo estou prometendo dar uma faxina em minha mesa...
Pois é, a essa altura já foi possível identificar a dificuldade que é manter-se focado e não ceder à tentação de dispersar-se mentalmente. A famosa ‘síndrome das urgências’, fomentada pela falta de concentração na execução das tarefas, nos impede de viver satisfatoriamente o tempo presente e valorizar o que mais interessa. Segundo uma pesquisa publicada na revista Science, tal efeito pode, inclusive, nos dar uma passagem só de ida para os vales da infelicidade.
Esse estudo foi realizado na Universidade de Harvad, EUA, e sugere que gastamos, em média, metade do nosso tempo útil apenas imaginando o que gostaríamos ou deveríamos ‘estar fazendo’ em outro lugar que não no momento presente. Por isso eu nunca gostei do gerundismo. Embora a habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo no momento seja uma conquista cognitiva, o custo emocional é grande e a contínua dispersão pode causar tristeza e insatisfação com a vida.
Abandonar a trilha sempre percorrida pelo raciocínio e concentrar-se no ‘presente’ não é uma tarefa fácil. Direcionar o foco e a atenção pode nos ajudar a lidar com as questões diárias de maneira mais consciente, pois não há nada mais triste do que a falta de intenção. É necessário nos reconhecermos em meio ao caos das necessidades imediatas para delinearmos um caminho baseado no momento presente. Eu estou tentando. E você?

29 de março de 2010
Profissão: cuidar do próximo
Conheça a história dos Médicos Sem Fronteiras
Se todos tivessem a chance de escolher as condições ideais de trabalho, certamente privilegiariam aqueles que oferecem as melhores remunerações, as instalações mais confortáveis, bons restaurantes nas proximidades e flexibilidade de horários. Certo? Nem sempre. Em situações de conflito e catástrofes naturais, como recentemente ocorreu no Haiti, acompanhamos a mobilização de milhares de profissionais cujo ofício envolve a privação de qualquer conforto e estabilidade para dedicarem-se integralmente às causas humanitárias.
“A certeza da urgência da necessidade do outro é sem dúvida um elemento importante na motivação pelo trabalho humanitário”, afirma Simone Rocha, diretora executiva da organização Médicos Sem Fronteiras no Brasil. Ela justifica que é por meio da resposta imediata, da doação pessoal e institucional que se espera sanar, curar, apaziguar e melhorar a condição do outro, o que se figura em “retorno incomensurável para o trabalhador humanitário”.
Fundada em 1972 por médicos e jornalistas, a organização francesa sem fins lucrativos Médicos Sem Fronteiras atua em mais de 60 países. São cerca de 28 mil profissionais, das mais diversas áreas, oferecendo assistência à saúde para pessoas cujos países encontram-se em situação de conflito, catástrofes naturais, fome e risco de contágio de doenças ditas ‘negligenciadas’. Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas que atuam MSF não estão em missão voluntária. Após sucessivos testes, esses profissionais são contratados e recebem todos os direitos trabalhistas.
Para atuar na MSF – seja no corpo médico ou não – o profissional precisa atender alguns requisitos básicos, como formação em alguma das áreas pré-estabelecidas, fluência em pelo menos uma língua estrangeira e alta capacidade para trabalho em equipe. “Além dos critérios profissionais, buscamos qualidades humanas como adaptabilidade, flexibilidade e capacidade de suportar situações estressantes”, explica Simone. As pessoas que decidem fazer parte dessa ação passam por um processo de reflexão muito grande, no qual muitos vislumbram não o que estão deixando para trás e sim o quão agregadora será a experiência.
O mundo é um moinho
Ao contrário da ideia quase ‘romântica’ que muitas vezes alimentamos acerca da promoção de um mundo mais justo, as motivações das pessoas que encaram o ‘front’ são um tanto quanto realistas. Entendem, cedo ou tarde, que as coisas não são sempre justas e muito menos igualitárias. “Por isso, somos altruístas, sim, mas talvez menos sonhadores do que se possa imaginar. Sonhamos em poder ajudar as pessoas a ultrapassarem os momentos mais críticos de suas vidas, em que sua existência e de seus entes queridos estão ameaçadas por guerras, catástrofes como a do Haiti, epidemias, fome, doenças.”
Mesmo sabendo que não serão capazes de por fim às causas de sofrimento, nada tem um efeito tão apaziguador para o humanitário quanto estar lá no auge da crise. “O mais difícil, para nós, não é estar lá e sim não estar. Assistir à crise do Haiti pela televisão e não poder fazer nada é mais duro para um trabalhador humanitário do que estar lá”, diz Simone, em um relato bonito no qual afirma que em meio à crise e o caos também encontram no outro o que nós humanos temos de melhor a oferecer. “Isso sim nos faz manter a esperança na humanidade e a crença de que o que fazemos vale a pena”.
*Texto originalmente publicado no site Abílio Diniz
Se todos tivessem a chance de escolher as condições ideais de trabalho, certamente privilegiariam aqueles que oferecem as melhores remunerações, as instalações mais confortáveis, bons restaurantes nas proximidades e flexibilidade de horários. Certo? Nem sempre. Em situações de conflito e catástrofes naturais, como recentemente ocorreu no Haiti, acompanhamos a mobilização de milhares de profissionais cujo ofício envolve a privação de qualquer conforto e estabilidade para dedicarem-se integralmente às causas humanitárias.
“A certeza da urgência da necessidade do outro é sem dúvida um elemento importante na motivação pelo trabalho humanitário”, afirma Simone Rocha, diretora executiva da organização Médicos Sem Fronteiras no Brasil. Ela justifica que é por meio da resposta imediata, da doação pessoal e institucional que se espera sanar, curar, apaziguar e melhorar a condição do outro, o que se figura em “retorno incomensurável para o trabalhador humanitário”.
Fundada em 1972 por médicos e jornalistas, a organização francesa sem fins lucrativos Médicos Sem Fronteiras atua em mais de 60 países. São cerca de 28 mil profissionais, das mais diversas áreas, oferecendo assistência à saúde para pessoas cujos países encontram-se em situação de conflito, catástrofes naturais, fome e risco de contágio de doenças ditas ‘negligenciadas’. Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas que atuam MSF não estão em missão voluntária. Após sucessivos testes, esses profissionais são contratados e recebem todos os direitos trabalhistas.
Para atuar na MSF – seja no corpo médico ou não – o profissional precisa atender alguns requisitos básicos, como formação em alguma das áreas pré-estabelecidas, fluência em pelo menos uma língua estrangeira e alta capacidade para trabalho em equipe. “Além dos critérios profissionais, buscamos qualidades humanas como adaptabilidade, flexibilidade e capacidade de suportar situações estressantes”, explica Simone. As pessoas que decidem fazer parte dessa ação passam por um processo de reflexão muito grande, no qual muitos vislumbram não o que estão deixando para trás e sim o quão agregadora será a experiência.
O mundo é um moinho
Ao contrário da ideia quase ‘romântica’ que muitas vezes alimentamos acerca da promoção de um mundo mais justo, as motivações das pessoas que encaram o ‘front’ são um tanto quanto realistas. Entendem, cedo ou tarde, que as coisas não são sempre justas e muito menos igualitárias. “Por isso, somos altruístas, sim, mas talvez menos sonhadores do que se possa imaginar. Sonhamos em poder ajudar as pessoas a ultrapassarem os momentos mais críticos de suas vidas, em que sua existência e de seus entes queridos estão ameaçadas por guerras, catástrofes como a do Haiti, epidemias, fome, doenças.”
Mesmo sabendo que não serão capazes de por fim às causas de sofrimento, nada tem um efeito tão apaziguador para o humanitário quanto estar lá no auge da crise. “O mais difícil, para nós, não é estar lá e sim não estar. Assistir à crise do Haiti pela televisão e não poder fazer nada é mais duro para um trabalhador humanitário do que estar lá”, diz Simone, em um relato bonito no qual afirma que em meio à crise e o caos também encontram no outro o que nós humanos temos de melhor a oferecer. “Isso sim nos faz manter a esperança na humanidade e a crença de que o que fazemos vale a pena”.
*Texto originalmente publicado no site Abílio Diniz
28 de março de 2010
Parem as máquinas
Querendo facilitar a vida? Tecnologia demais pode atrapalhar
Celular sem sinal, sistema travado, problemas de conexão, arquivos corrompidos ou erros na impressão. Atire a primeira pedra aquele que, em contato com essas ferramentas, nunca se aborreceu com uma pane. Em uma sociedade cuja demanda por informação é cada vez maior, estar sujeito aos qüiproquós da tecnologia é inevitável, mas isso pode ser muito prejudicial à saúde. Controle e bom senso no uso de equipamentos eletrônicos fazem toda a diferença.
O chamado ‘tecnostresse’ tem levado muitas pessoas a vivenciar a denominada ‘fúria tecnológica’. Os sintomas podem aparecer no formato de cansaço crônico, ansiedade ou distúrbios de apetite, por exemplo. “São sequelas do mau uso desses aparatos. Algumas pessoas estão se tornando escravas de equipamentos cada vez mais sofisticados e perdem a consciência do papel da tecnologia em nossas vidas”, afirma Ana Maria Rossi, psicóloga e presidente da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR).
Parece exagero, mas não é. Em 2006, a ISMA-BR realizou uma pesquisa em São Paulo e Porto Alegre com o objetivo de identificar as causas e sintomas do tecnostresse. Dos 1200 participantes, entre usuários compulsivos e pessoas que precisam da tecnologia para trabalhar, mais da metade reconheceu ser afetada por esse tipo de estresse. “Identificamos ainda que muitas pessoas usam a tecnologia como um paliativo para não pensar nos problemas do dia-a-dia, o que também justifica esse desequilíbrio”, explica.
Liderando o ranking das causas de estresse tecnológico está a perda de informações no computador, que chegou a ser considerada mais estressante do que trocar de emprego ou mudar de casa. A redução da qualidade de vida em função da sobrecarga de informações, as constantes mudanças tecnológicas e outras dificuldades como problemas de conexão ou falta de sinal para operar o celular também encabeçaram a lista.
Ana Maria explica que o estímulo ao consumismo responde por parte deste quadro preocupante. “Frente à necessidade ilusória de sempre ter em mãos o modelo de última geração, muitos acabam comprando equipamentos que não precisam”. De acordo com a psicóloga, é importante desenvolver disciplina para ‘puxar o freio de mão’ quando a situação está fugindo do controle, além de criar critérios para que o uso de tecnologia se restrinja a sua finalidade: facilitar a vida dos seres humanos.
*Texto originalmente publicado no site Abílio Diniz
Celular sem sinal, sistema travado, problemas de conexão, arquivos corrompidos ou erros na impressão. Atire a primeira pedra aquele que, em contato com essas ferramentas, nunca se aborreceu com uma pane. Em uma sociedade cuja demanda por informação é cada vez maior, estar sujeito aos qüiproquós da tecnologia é inevitável, mas isso pode ser muito prejudicial à saúde. Controle e bom senso no uso de equipamentos eletrônicos fazem toda a diferença.
O chamado ‘tecnostresse’ tem levado muitas pessoas a vivenciar a denominada ‘fúria tecnológica’. Os sintomas podem aparecer no formato de cansaço crônico, ansiedade ou distúrbios de apetite, por exemplo. “São sequelas do mau uso desses aparatos. Algumas pessoas estão se tornando escravas de equipamentos cada vez mais sofisticados e perdem a consciência do papel da tecnologia em nossas vidas”, afirma Ana Maria Rossi, psicóloga e presidente da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR).
Parece exagero, mas não é. Em 2006, a ISMA-BR realizou uma pesquisa em São Paulo e Porto Alegre com o objetivo de identificar as causas e sintomas do tecnostresse. Dos 1200 participantes, entre usuários compulsivos e pessoas que precisam da tecnologia para trabalhar, mais da metade reconheceu ser afetada por esse tipo de estresse. “Identificamos ainda que muitas pessoas usam a tecnologia como um paliativo para não pensar nos problemas do dia-a-dia, o que também justifica esse desequilíbrio”, explica.
Liderando o ranking das causas de estresse tecnológico está a perda de informações no computador, que chegou a ser considerada mais estressante do que trocar de emprego ou mudar de casa. A redução da qualidade de vida em função da sobrecarga de informações, as constantes mudanças tecnológicas e outras dificuldades como problemas de conexão ou falta de sinal para operar o celular também encabeçaram a lista.
Ana Maria explica que o estímulo ao consumismo responde por parte deste quadro preocupante. “Frente à necessidade ilusória de sempre ter em mãos o modelo de última geração, muitos acabam comprando equipamentos que não precisam”. De acordo com a psicóloga, é importante desenvolver disciplina para ‘puxar o freio de mão’ quando a situação está fugindo do controle, além de criar critérios para que o uso de tecnologia se restrinja a sua finalidade: facilitar a vida dos seres humanos.
*Texto originalmente publicado no site Abílio Diniz
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