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20 de junho de 2009

Sobre o mimo e as madeixas

Depois de ler tanta abobrinha sobre o desserviço na decisão a respeito do diploma de jornalismo, é bom ter algo que me humanize.

Conheci ele há pouquíssimo tempo. De cara, percebi o tipo ‘indivíduo observador’. É sempre bom tê-los por perto. E ele acertou na mosca. Me deu um presente. Nem sabia que, há tempos, fundei essa tag no Pluralidade. Porque gosto do ‘escrever’ de muita gente.

Palavras que me completam. Pensamentos que tinham tudo para serem meus. Que bom que não o são.

Compartilho com vocês uma das poesias que ganhei de Robledo (ou @mediador) sobre minha juba. Já é querido. Já é amigo. Já é dos meus. Tipicamente da ‘minha laia’.

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Rebeldia Organizada, por Francisco Robledo

Sentava longe pra olhar de perto
Hoje fico perto pra ver melhor
Mas eles não se decidem pra onde ir
Não sabem que ainda assim se mostram

Ainda olho-os de longe e de perto
Imagino o cheiro, a consistência
E como se organizam tão disformes.
É bela esta desordem indescritível.

Sua alma os reconhece, os trata bem.
Não se enganem com a aparência
Eles dizem mais do que ela – sempre.

Sua Ama os retém, mesmo que ainda
Estejam livres para se mostrarem
Individuais e belos como planejado.

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Essa Boneca Tem Manual? - não podia falar a trilha sonora, certo?!
“Nos segredos dela se aposta viu, nos cabelos dela não se toca, ouviu?!”





A animação massa do vídeo é de Andressa Moreira & Cia.



21 de agosto de 2008

Manual de sobrevivência na vida adulta
Por Juliana Santiago

Qualquer criatura acima da idade legal de 18 anos é considerada adulta. Acho um limite pavoroso. “Adultez” vai muito além de uma questão de números e documentos. Tem gente que, mesmo com o passar dos anos, não cresce nunca. Tem outros que são obrigados a crescer antes do tempo.

E crescer não é tão legal quanto eu achava aos 8 anos. É trabalhoso e as decisões vão passar muito além do sabor do sorvete. Quando você cresce o fato de escolher morango ou chocolate afetará como você é visto, seu futuro profissional e mais uma série de assuntos que antes eram só um blábláblá daquela tia velha e chata.

Alguns fatores acabam auxiliando ou retardando o processo. Eu já passei por alguns deles e hoje, a beira dos trinta, às vezes ainda me vejo com vontade de mandar a minha mãe resolver, com a absoluta certeza que ela faria muito melhor. Como não é todo mundo que tem uma mãe disponível e competente, certas verdades a gente tem que descobrir por si só. Algumas delas são muito feias e não funcionam pra todo mundo.

Verdade feia, boba e cara de mamão N° 01: Vida Amorosa

Você vai descobrir que as pessoas não estão em “stand by” enquanto você vive. Sim, é lamentável, mas o mundo desgraçadamente não para de girar enquanto você está aí. Neste meio tempo, a outras pessoas também estão por aí, vivendo, sem a sua autorização, fazendo e pensando coisas sem a sua supervisão. O problema é delas e se você se deixar afetar (e você vai, acredite) azar. Pra piorar, elas nem sempre fazem o que você quer. Pra ser bem realista, quase nunca. E não há nada que se possa fazer quanto a isso que não seja crime.

A sua vantagem é que você também tem essa liberdade de viver enquanto os outros vivem. Aproveite seu livre arbítrio e vá cuidar da sua vida, exclusivamente da sua. A vida dos outros vai acabar ocasionalmente cruzando com a sua, aí você vai, ‘dá uma cuidadinha’, já que ninguém é de ferro. Mas não se negligencie jamais.

N° 02: Vida Pessoal (Ô termo ridículo!)

Vá morar sozinho e descubra dolorosamente que as roupas não se auto-lavam-e-passam, as contas não se auto-pagam e que a comida não brota na geladeira. E aí você finalmente vai entender o que seu pai queria dizer quando reclamava da falta de dinheiro. Ele realmente falta. E também quando a sua mãe diz que está cansada. Sua casa dá mais trabalho do que seu chefe.

E NÃO DEVA FAVORES! É pior que dever dinheiro, porque a dívida não expira nunca. Não se choque. Ponha-se no lugar dos outros de vez em quando e descubra que não custa nada colaborar. Você também reage da mesma maneira e não perdoa os débitos assim como os seus devedores da mesma forma cruel, mesmo que internamente.

N° 03: Vida profissional

Não fique desempregado. Vá fazer qualquer coisa, nem que seja carregar sacola na feira pra sua vizinha. Ainda que você seja ótimo e bem qualificado, não tem emprego sobrando. Assim sendo, por mais chato que seu chefe seja, por pior que você ganhe, por mais imbecil que seja a sua função, abrace-os todos os dias como se fossem mais importantes que um pedaço do seu corpo.

Sem emprego você não ganha dinheiro. Sem dinheiro você não paga suas contas, não se diverte e não é respeitado. Não importa que você seja legal. As pessoas vão ficar com peninha, mas vão continuar vivendo a vida delas, com o dinheiro delas e no máximo vão te quebrar o galho de vez em quando e te lembrar disso pra sempre.

N° 04: Vida Finaceira

Quebre! Nada como uma boa falência pra se aprender a dar valor à cada centavo, desde aquele do troco que a vendedora arredondou àquela coisa que você não precisa mas está na promoção. Uma vez quebrado, aproveite enquanto dever não é pecado, mas não deixe de pagar. O prazer de um cheque especial quitado é comparável a um orgasmo ou uma boa cantada. Faz você se sentir o máximo.

Escolha a dívida que cabe relativamente no seu bolso e pague uma por uma. As outras que esperem a vez. Duas ao mesmo tempo não adianta, você não vai dar conta e vai acabar é arranjando mais dívidas. O chato é lidar com as cobranças, mas lembre-se que a galera do telemarketing só está tentando trabalhar pra não ficar no mesmo buraco em que você está, se é que já não estão.

N° 05: Duas verdades absolutamente incontestáveis:

A) Falar é fácil e todo mundo fala mais ou menos. Mentir é fácil e todo mundo mente mais ou menos. E ambos são necessários. Às vezes mais, às vezes menos.

B) Não adianta receber conselhos. Você não vai segui-los se não tiver vontade, o que no calor do momento desaparece. Por mais que te digam que já passaram por isso antes e que tudo vai ser assim ou assado, sua mente e seus hormônios vão te fazer blasfemar, ligar pra quem não merece e gastar com o que não deve. No final, você vai ver que as pessoas estavam certas e você decidiu errado, mas não sem antes cometer mais algumas vezes a mesmíssima burrada. É humano e tão certeiro quanto praga de mãe.

O PRINCIPAL: Cuide-se. Ninguém pode fazer isso melhor do que você.

O PRINCIPAL DO PRINCIPAL: Escolha ser feliz e se o universo não colaborar, seja feliz na marra. Só pra contrariar. Apesar de todos os entreveros que o mundo vai te empurrar garganta abaixo (às vezes por pura diversão) respire fundo, engula e sorria. Enquanto o suicídio for pecado mortal, você vai continuar vivendo, o mundo vai continuar girando e por mais longa que a fase boa ou ruim seja, vai passar e você vai acabar achando graça. Vai por mim.

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Quer ler outras genialidades da Ju?
Acesse: http://comentariosdajuly.blogspot.com/

22 de junho de 2008

Agonia, por Sueli Dutra

Não tenho o direito de estragar esse momento. Limito-me a contar que tenho pedido para pessoas que amo e admiro, por diversas razões, um presente incomum: escreva algo, sobre qualquer coisa. A escrita revela muito do que somos...

A estréia da sessão acontece por meio de um texto que me intrigou. Que bom! Sinal de que alcançou o seu objetivo. Deixem fluir. Agora será assim: sempre que possível, postarei os textos-presentes que me chegam. Boa leitura!

Agonia (São Paulo, 23/05/2002, às 13h5min)

O Hoje exige reflexão.
Não sobre Ontem ou Amanhã, mas o Agora.
Nada me satisfaz...
a confissão, agrado, conversa, o outro.
E agonizo.
Tudo é demais,
nada suficiente.
Tenho pensamentos mórbidos, sem fim.
E não acordo. Não durmo.
Agonizo.
Quanto barulho!
Esse silêncio.
Sem luzes... ou trevas.
A visão de outro mundo,
dimensão inacabada.
Agonizo.
A sensação de dor
Porque não dói, não machuca.
Incomoda. É constante,
calor que dá frio... calafrios.
Agonizo.
Anjos tocam e cantam
horrores indizíveis, visíveis.
Vozes... sons...
Que envolvem, alucinam, enlouquecem...
Mais alto, mais alto, mais alto.
Explodem, uníssono.
Agonizo.

Era um dia de sol lindo! E estava feliz. E não havia ninguém por perto com quem quisesse compartilhar daquele momento. Uma caminhada, um lanche rápido, caneta e papel à mão. E tudo tão brilhante. Ao contrário, me saiu ‘isso’ – um alien. Só tempos depois que refleti sobre o ocorrido... Estaria possuída por um outro? Havia alguém que queria se comunicar e o fez através de mim? Nada! Havia, creio nisso agora, uma angústia escondida, inconsciente, que foi exorcizada pela minha sensação de alegria e o sol que me invadia. Freud explicaria! Na minha intimidade, um luto – que tem começo, meio e fim -, chegou ao seu termo. E viva o luto - que não é a melancolia.

Obs.: Pensei em incluir aqui os significados que o dicionário comum atribui às palavras ‘luto’ e ‘melancolia’. Mas ele não dá conta da nossa complexidade: a humana! Por isso, fica a sugestão de leitura do texto “Luto e melancolia” de Sigmund Freud, em Obras Completas.

(São Paulo, 20/06/2008, às 10h47min)

Sueli Dutra