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4 de agosto de 2009

Detalhes tão pequenos...

... ou ‘Particularidades da Gripe Suína que Não nos Contaram’

É uma pandemia. Sim. Todos estão alarmados. Sim². Presenciamos uma nova configuração social em função do pânico. É para tanto? A tal da ‘hipocondria transitória’, causada por um ‘estresse psicossocial’ é o jargão médico para definir a neurose atômica que nos assola nesses tempos espirrados.

Mas, será mesmo que ninguém está lucrando com essa história? O documentário ‘Operação Pandemia’, do diretor argentino Julián Alterini, vai na contramão do que chamo ‘espetacularização de crise’ e nos fornece, digamos, outras inconveniências atreladas à pandemia.

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Texto narrado por Joaquín Arrieta, no documentário “Operação Pandemia”:

Atuemos ativamente, mas nunca aceitemos nos manter num estado de paranóia e sufoco. Cuidemos de nós e de nossas famílias, tenhamos em mente as medidas de prevenção, mas também, ter bem claro que esta fórmula em algum momento terá que mudar, porque estão jogando conosco, estão negociando com a sua saúde e a saúde de seus filhos.
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Só para constar, penso que as recomendações preventivas da ‘gripo porcina’ não servem só para o H1N1. Li coisas como ‘lavar as mãos, escovar os dentes e passar o fio dental’. Alô?! Será que minha mãe já previa um surto gripal desses, visto que incorporou tais práticas em minha rotina diária desde que eu me entendo por gente? O_o


3 de agosto de 2009

Sobre agosto, o gosto e o causo

Paixão nos deixa assim: monotemáticos e aéreos. Como diria Clarice Lispector, minha favorita, sofro de uma falta essencial de assunto. Mas escrever é preciso. Encantarmos-nos também.

E a vida segue, como se não precisasse de mim. Como se eu estivesse temporariamente desobrigada de descrevê-la, mencioná-la, deixá-los a par.

Tenho tanto causo para contar. Mas não vem ao caso. Escrevo só para constar que estou viva, que estou atenta. Escrevo sobre o frio e sobre o cobertor de orelha. Sobre os dias e sua inalterabilidade.

É mês de agosto. Já é. Posso prever os enfeites natalinos e aquela crise existencial que bate à porta quando pensamos: o ano está acabando. Sim, o tempo passa e as coisas melhoram. Evoluem.

Agosto, por Rubem Fonseca

Um mês de paixões, de gestos de desespero e de loucura.
Um mês de multidões vociferantes nas ruas.
Um mês sombrio de trágicas ilusões,
encerrado pela inalterabilidade do cotidiano – a vida continua.

High Hopes - Pink Floyd





Volto já!

26 de junho de 2009

Michael Jackson, por Jorge Forbes*

Texto enviado por Teresa Genesini

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"Foi no momento da esperança que Michael Jackson morreu: foi quando o mundo inteiro esperava seu retorno na velha Londres. Ele quebrou as tradicionais bancas de apostas que se dividiam entre o sucesso estrondoso ou o aplauso de consolação; nem um nem outro, a cada qual agora de decidir, em seu próprio sonho, como foi o último show.

Não perguntem a um psicanalista sobre as doenças psíquicas do menino de Ben. Primeiro porque não se diagnostica à distância, segundo, e mais importante, porque a genialidade de Michael Jackson não cabe em nenhum enquadramento psicopatológico. Michael Jackson não foi o maravilhoso artista porque sofria, mas por ter sabido em sua arte ser maior que o sofrimento que deixava transparecer e que lhe causou tantos problemas.

Seria muito reducionista pedir o aval freudiano à historinha pronta a ser acreditada: filho caçula de um pai tirânico, tendo sua infância roubada por uma imposição de trabalho e sucesso, o moço não teria outra opção na vida adulta se não recuperar, em parques de diversões fora de data e em compras compulsivas, a alegria infantil um dia proibida. Por favor, não! Essa história pode explicar muita gente, mas não faz um Michael Jackson.

Nenhum diagnóstico que colemos a Michael Jackson explicará a química de alguém que fez o mundo andar na Lua. Suportemos o silêncio de sua morte e de seu sofrimento. Sua música e seus gestos é o que ele nos deixa eternamente".

Jorge Forbes, São Paulo, 25 de junho de 2009.


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*Forbes é psicanalista e médico psiquiatra em São Paulo.


You Rock Our World!



20 de junho de 2009

Sobre o mimo e as madeixas

Depois de ler tanta abobrinha sobre o desserviço na decisão a respeito do diploma de jornalismo, é bom ter algo que me humanize.

Conheci ele há pouquíssimo tempo. De cara, percebi o tipo ‘indivíduo observador’. É sempre bom tê-los por perto. E ele acertou na mosca. Me deu um presente. Nem sabia que, há tempos, fundei essa tag no Pluralidade. Porque gosto do ‘escrever’ de muita gente.

Palavras que me completam. Pensamentos que tinham tudo para serem meus. Que bom que não o são.

Compartilho com vocês uma das poesias que ganhei de Robledo (ou @mediador) sobre minha juba. Já é querido. Já é amigo. Já é dos meus. Tipicamente da ‘minha laia’.

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Rebeldia Organizada, por Francisco Robledo

Sentava longe pra olhar de perto
Hoje fico perto pra ver melhor
Mas eles não se decidem pra onde ir
Não sabem que ainda assim se mostram

Ainda olho-os de longe e de perto
Imagino o cheiro, a consistência
E como se organizam tão disformes.
É bela esta desordem indescritível.

Sua alma os reconhece, os trata bem.
Não se enganem com a aparência
Eles dizem mais do que ela – sempre.

Sua Ama os retém, mesmo que ainda
Estejam livres para se mostrarem
Individuais e belos como planejado.

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Essa Boneca Tem Manual? - não podia falar a trilha sonora, certo?!
“Nos segredos dela se aposta viu, nos cabelos dela não se toca, ouviu?!”





A animação massa do vídeo é de Andressa Moreira & Cia.



18 de junho de 2009

Eu passarinho...

Quatro anos de graduação e muita, muita transpiração. Não sou do tipo que já nasceu sabendo o que queria ser ‘quando crescesse’. Com o curso já em andamento e com o crescente entusiasmo pela área de humanas aflorando, certo dia acordo e percebo que cursar jornalismo foi uma das decisões mais acertadas que tomei em minha vida.

Não porque escrevo bem ou porque faço tipo irreverente. Simplesmente porque acreditava que as coisas podiam ser diferentes. Sim, o jornalismo praticado no Brasil (ou o que se subentende por tal) ainda me envergonha. E muito. Mas a academia - e aquela sementinha que alguns professores engajados plantam na gente - me colocaram em contato (e deram sentido) a minha paixão pela disseminação do conhecimento.

Eu seria uma jornalista melhor sem isso? Como diria Quintana, ‘a resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas’. Com certeza, sou uma pessoa melhor do que quando adentrei as portas da faculdade, apenas com uma vaga noção profissional e sem saber direito o que fazer com ela.

Se defendo a reserva de mercado? É óbvio. Ou será que, se ao invés de me comunicar bem, tivesse recebido uma luz do ‘Espírito Santo’, dizendo que o grande dom de minha vida é ser cirurgiã plástica. Vamos lá, gente! Vou trocar de profissão agora e preciso de cobaias – já que diploma é mero acessório. Quem se habilita?

O conhecimento é o único bem que não nos podem tomar. Por isso, não me arrependo por um segundo que seja de todo o suor e lágrima que a graduação me custou. O que me deixa triste e envergonhada no dia de hoje é saber que, no meu país, pouco importa se a categoria é legítima ou não. Pouco importa o genocídio intelectual promovido pelos ditos ‘formadores de opinião’. E, no mais, os sofismas usados para justificar a arbitrariedade estão na lista dos ‘assustadoramente absurdos’.

‘Diploma desnecessário: uma decisão danosa’, por Alberto Dines

“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”
Mario Quintana

Carolina Beu
Jornalista
MTB 56.307/SP
For nothing

28 de abril de 2009

Me diga 'quem tu és' e eu direi 'como andas'...

... ou a 'Nobre Era dos Formulários'.

Há muito tempo tenho matutado acerca deste assunto. Estamos em plena ‘era dos formulários’. Com a expansão das redes sociais, a todo momento nos deparamos com a intrigante tarefa de nos descrevermos. Ou melhor, de criamos personagens virtuais pretensos a serem aquilo que julgamos ser nossa imagem e semelhança.

Mas, ‘péra lá!’. O meu humor não varia apenas na tríade ‘inteligente/sagaz/pateta’ (clichê orkutiano). Perceber isso já é o primeiro passo, não? Obvio, não se trata aqui de pensar em como fornecer informações subjetivas a meu respeito em um meio que não convém. Luli Radfahrer disse agora a pouco que os “desabafos no Twitter definem hoje as cores, raças, castas e crenças que seriam riquezas se pelo menos fossem diferenças”.

A dicotomia reside no fato de que, cada vez mais, vejo que as pessoas acreditam nessas classificações superficiais e as tomam como parâmetros confiáveis para compreender o outro. Calma, os métodos de psicanálise online (ou caminhos para viabilizá-la) já são questionáveis demais para todo mundo achar que deve ‘soltar o verbo’ acerca de si mesmo na web.

Mas, afinal, o que é ter um profile atrativo? O que é ser ‘descolado’? É não ter nada para dizer e, ainda assim, 300 pessoas te seguirem no microblogging (maldito sejam os plugins que capturam os seguidores dos outros)? É ir para uma festa e posar em fotos ‘apropriadas’ para o Orkut que, de preferência, mereçam a tag olha-como-eu-sou-bonita-e-feliz (sério, acho hilário ver o povo fazendo caras e bocas e premeditando o ângulo ‘casual’ da pose em função disso)?

Na boa? Penso que já passou da hora de adotarmos uma postura mais honesta em relação aos outros e, sobretudo, com nós mesmos. Chega de dissociar o ‘eu’ como sendo ‘virtualmente amigável’ e ‘socialmente apático’. Muito me preocupa ver tanta gente mostrando algo que não é. Procure terapia, adote um cachorro ou, melhor, desligue o monitor e olhe para dentro de si.